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Solenia BackstageEdição 03 · JUL 2026

Lado Beco, o álbum que esperou o tempo certo de sair

Entre crítica social, consciência de classe e um imprevisto real no meio do caminho, a banda de Maringá adia o lançamento de maio pra setembro, e prova que bastidor de verdade também é sobre lidar com o que não estava no plano.

Foto: divulgação / Lado Beco

Antes de chegar à Solenia Records, Lado Beco já tinha percurso. A banda (formada por Coutinn, JAOVAMP, Mateus e Gabriel, de Maringá) já havia lançado dois singles e um EP por conta própria, e já tinha ganhado peso suficiente na cena local pra abrir show de Gabriel o Pensador, um dos nomes mais consolidados do rap consciente no Brasil. Não é pouca coisa pra uma banda ainda sem selo: é validação de que o som e o discurso da banda já circulavam antes de qualquer estrutura de gravadora entrar em cena.

O som de Lado Beco mistura rap e rock com uma proposta que não deixa dúvida sobre o que a banda quer discutir: crítica social e consciência de classe correndo por dentro da música, não como adorno, mas como espinha dorsal. É um projeto que carrega intenção, não é banda que aceita que a mensagem fique em segundo plano só porque o gênero pede groove.

O plano original era lançar o primeiro álbum já pela Solenia em maio de 2026. Fazia sentido: banda com repertório testado ao vivo, presença de palco relevante, discurso definido: faltava só formalizar isso em um disco. Mas um acidente com o baterista, Gabriel, mudou o cronograma. O lançamento foi adiado pra setembro.

É tentador, em matéria de selo, só mostrar o lançamento pronto e pular a parte incômoda do processo. Mas é exatamente esse tipo de imprevisto que separa o “release” (o comunicado depois que tudo deu certo) do bastidor de verdade: uma banda não é uma linha de produção, é um grupo de pessoas, e a saúde de qualquer uma delas pesa mais que qualquer cronograma de marketing. Adiar não foi falha de planejamento: foi a única decisão possível diante de uma circunstância que nenhum planejamento antecipa.

Esse tipo de imprevisto também revela algo sobre a diferença entre banda e artista solo enquanto estrutura: quando o instrumento que sofre o imprevisto é uma pessoa (e não, por exemplo, um prazo de estúdio), o álbum inteiro espera. Não existe “gravar a bateria com outro baterista só dessa vez” numa banda que constrói identidade em cima da formação que já validou ao vivo em Maringá e ao lado de Gabriel o Pensador.

Vale registrar também uma coincidência de calendário que atravessa esta edição: JAOVAMP, integrante do Lado Beco, também estreia carreira solo com um single em agosto: matéria que aparece no Perfil Criativo desta edição. Duas frentes do mesmo músico, andando em paralelo, uma delas quieta até recentemente e agora tomando forma própria.

Com a data reagendada pra setembro, o que fica dessa pausa forçada não é atraso: é o tempo que faltava pra o álbum sair do jeito que a banda sempre pretendeu, com todo mundo de pé, tocando junto.

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