Universal e Sony processam a Suno pela segunda vez e dizem que o modelo v6 nasce de cópia antiga
Os selos afirmam que o v6, apresentado como treinado do zero com acordos de outros selos, herda dados de modelos que já eram alvo de ação

Em 18 de setembro de 2026, a Universal Music Group e a Sony Music Entertainment entraram com uma segunda ação contra a Suno, a plataforma de música gerada por inteligência artificial. O processo tramita na Justiça federal de Massachusetts, em Boston, e acusa a empresa de copiar 60.202 gravações sem licença e de burlar a proteção que o YouTube usa contra downloads, prática conhecida como stream ripping. Os selos dizem que esse número é só uma pequena parte do total.
O alvo agora é o v6, modelo que a Suno lançou em 9 de setembro. A empresa o apresenta como treinado do zero, em parceria com a Warner Music Group, a BMG e a Believe, sem material da Universal nem da Sony. Os acordos com esses três parceiros datam de novembro de 2025 (Warner), 12 de agosto de 2026 (BMG) e 8 de setembro de 2026 (Believe). Para os autores da ação, o v6 não é um recomeço: eles afirmam que ele foi treinado com resultados e dados de preferência de modelos anteriores, que já eram objeto de disputa. A tese, nas palavras dos selos registradas pela Music Business Worldwide e pela Digital Music News, é que o v6 seria “fruto da mesma árvore envenenada”.
Os selos pedem até US$ 150 mil por gravação, o teto legal para violação intencional. Nessa conta, o valor teórico máximo passa de US$ 9 bilhões, segundo o cálculo da Music Business Worldwide. Pedem ainda até US$ 2,5 mil por ato de burla da proteção do YouTube, uma injunção para barrar o uso das gravações e julgamento por júri.
A primeira ação, de junho de 2024, segue ativa. Segundo a Digital Music News, tribunais já recusaram incluir mais faixas nesse caso, porque isso alongaria demais o processo, e deixaram aberta a possibilidade de ações separadas. As gravações da nova ação foram identificadas pela Audible Magic, empresa de impressão digital de áudio, durante a fase de provas do primeiro caso, informou a Music Business Worldwide.
O ponto que importa para quem faz música por conta própria é que acordo de licença com alguns selos não encerra a discussão sobre o que entrou no treino. Artistas independentes costumam chegar às plataformas por distribuidoras e selos pequenos, alguns deles parceiros de empresas de IA. Vale ler no contrato de distribuição o que ele diz sobre uso do catálogo para treinar modelos, e guardar registros de autoria e de data de lançamento de cada faixa.